sexta-feira, 15 de maio de 2009

fendas do tempo - por Nine

Queria começar essa crônica por um poema do Marcantonio Araújo, jornalista, blogueiro do "porumpratodecomida", dono de bar bacana em SP, o "Barão de Itararé", professor entre outros...

Fenda
Algumas pessoas chegam, nos transformam por inteiro
depois vão embora e nos deixam pela metade
essa parte que some é a que nos tornava únicos
a que fica é para que não sejamos os mesmos
uma grande amor entra e sai pelas janelas de uma casa diferente

Um grande amor, quando vai embora tranca a porta por dentro


A razão desse poema do Marco estar aqui, entre os inúmeros que ele escreve no blog e que eu gosto muito, é que depois de uma viagem ao Rio, nesse fim de semana que passou, eu achei o moço do retrato... Tudo começou assim:


Acordei "assonada" às 6h30 da manhã de sexta, resultado de meio comprimido para dormir ingerido às 2h37 da madrugada, quando acordei achando que já eram 6h... Já sabia que isso ia acontecer quando marquei com a Rose, minha amiga, na véspera ... Ela passaria aqui em casa antes da academia para eu mostrar onde guardo as coisas do Pepsi, cão do qual eu sou a humana. Liguei o celular correndo enquanto ia ao banheiro. O celular da Rose não atendeu, mas já tinha 2 mensagens dela... Conclusão da Nine: Se ela não atende no cel é porque ainda esta em casa! Ligo, o marido atende com voz de quem eu acordei, com uma educação suiça me diz que não foi nada e que a Rose já saiu, desligo depois de mil pedidos de desculpas... A Rose, o marido e o Francisco, o cachorro dela, moram 4 ruas para baixo da minha. Logo toca o interfone. O Nivaldo:


D.Nine, a D.Rose esta aqui, mas eu ja disse para ela que nao posso tocar antes das 7hs da manha, mas ela insistiu!


Tá bom Nivaldo deixa a D.Rose subir logo, eu acabei de acordar, ainda estou de pijamas e preciso de um Listerine urgente...


Ele não entende nada, mas responde sim, senhora!


Corro para o Listerine e o pente, toca a campainha de som de passarinhos cantando. Tem quem ria, tem que ache esquisito, eu, como o distinto parlamentar estou me lixando para a O.P.;só que em mim o Povo não vota!


Não sei vocês, mas eu antes da minha caneca de leite, café, ovomaltine e canela não sou ninguém. Então dou a sacola com lãs, que eu comprei na véspera, na 25 de março, para a Rose se distrair como um gato Ela fará um cachecol, echarpe, cheio de lãs com paetês e brilhos que fariam o Clovis Bornay morrer de inveja para as minhas meninas! Pego a minha caneca preferida e me sento no sofá em frente a Rose. O Pepsi num frenesi de alegria e entusiasmo matinal pela presença dela na casa, pula de um lado para o outro sem parar. Na terceira vez, consigo graças a ele, derrubar minha poção matinal no sofá cor de manteiga aviação, no tapete e em 3 livros de arte que estavam adormecidos em cima da mesinha lateral... Tranco o Pepsi na varandinha de castigo. Rose e eu saímos correndo para limpar a lambança. Ofereço depois desse rebuliço um café puro, agora para nos duas. A cafeteira resolveu quebrar justo agora, vamos de Nescafé mesmo, baristas vão nos crucificar... Ela saiu para aula de alongamento, depois de ganhar um colar de lapis lazuli igual ao meu, sem embrulhar nem nada, não tive tempo, mas ela gostou! Corro para arrumar minha cama, comer minha papaia e torrada, troco de roupa, escovo os dentes e saio com o Pepsi para o passeio diário dele. Meia hora de caminhada pelas ruas do bairro. Não encontrei o humano-gato de idade compatível com o cão dele, o Toddy... Que pena! Nós temos tanto em comum! O que Nine?!! Ué, gostamos de cachorros e colocamos nomes de bebidas nos nossos! Óbvio! Volto, tomo banho, cato os lixos do ap, fico linda, fecho a mala, restrinjo a área do Pepsi com água e brinquedos, caminha e jornais (Rose e porteiros se ocuparão de dar ração etc). Peço ao Nivaldo para me chamar um táxi, desço com a mala, a bolsa, a sacola de lixo até a garagem, deixo na portaria o RG da Rose e a autorização para ela entrar enquanto eu não estiver. Aqui é mais guardado que Fort knox! Acabo de lembrar que deixei o gás do boiler ligado. Peço ao Nivaldo para pedir ao zelador para ir lá em casa desligar. Entro no táxi e vou conversando com o taxista sobre economia doméstica. Como eu consegui economizar 10% na minha conta de eletricidade só desligando as tomadas a noite. Desligo tudo religiosamente e ainda ajudo o planeta, sou o máximo! Ele me conta como também economizou depois que as duas filhas saíram de casa. Filhas são só despesas e preocupações, me diz ele... Concordo gravemente, não quero me indispor com ele antes de chegar ao terminal... Vinte e quatro reais mais tarde, chego ao Tietê com conselhos do motorista de usar máscara no Rio contra a gripe suína! Não adianta explicar a ele que a máscara só funciona por 2hs e a OMS não recomendou. Lavar as mãos varias vezes ajuda muito, tento argumentar, o senhor não leu o Marcelo Coelho na Ilustrada na quarta passada?


Não, só leio o Estadão!


Ah, então tá, tchau, obrigada viu, credo! Deve ser fã do Reynaldo Azevedo! Inimigo do meu jornalista preferido também é meu inimigo... vou ao guichê da Itapemirim e compro as passagens de ida e volta no domingo. Plataforma 27. Chego lá e ganho um "estadão", sem comentários, please!
Me acomodo na poltrona executiva, que de executiva só tem o nome, porque mesmo os de baixo escalão, viajam é de avião! Para meu deleite, não senta ninguém ao meu lado. Li o jornal inteiro, vários editais, crônicas sobre a declaração no distinto deputado. Gostei mais da de Dora Kramer, li que o Wolverine esbanjou simpatia no Rio, ele poderia esbanjar o que quisesse aqui em casa... Comprei um sanduíche de queijo na parada, não resisti, cai na armadilha dos marqueteiros e, no caixa, comprei uns cajuzinhos. Quem quer levar um corpaço para o além? Eu não! Na entrada da Serra das Araras, em vez delas, encontramos blitz da polícia rodoviária, 20 minutos de revista das bagagens. Meu filho me liga e diz que não vai poder me buscar na rodoviária, que me leva amanhã na rua onde morava o moço do retrato. Não quero, vou hoje mesmo, direto da rodoviária, de táxi, e passarei o resto do mês a pão e água ... Chegamos atrasados no Rio, graças às novas araras da serra! Pego um táxi e negocio o preço com o taxista, de lá até o bairro do moço é tabelado, mas da rua do moço até o Recreio, onde minha prima mora não é. A caminho de lá, descubro que o motorista esta lendo Foucault, ele tinha um livro no táxi. Onde mais eu poderia encontrar um taxista filosofo? Graças a já decantada minha memória, parei exatamente no meio da ladeira onde era a casa do moço. Mas a casa não estava mais lá. Pergunto para o a primeira passante se ela o conhece, ela o conhece sim, mas ele não mora mais ali... A mãe morreu, o pai morreu, a fábrica fechou... e eu já vou me afundando na calçada, qdo ela me diz que o inquilino dele mora ai! Vamos lá dentro que eu te apresento, diz ela! O terreno era o mesmo, mas a casa foi reformada e eu não a reconheci. Tocamos a campainha, um senhor de cabelos grisalhos vem atender e me diz para deixar meus dados, que ele entrega para a imobiliária, porque ele não tem contato com o moço... de novo vou para o centro da terra. O senhor diz: mas a prima dele ainda mora ai em frente e as luzes estão acesas! Agradeço e saio correndo, toco a campainha, vem um husky siberiano todo branco e logo atrás uma senhora. Era a K., a prima dele, com quem saímos várias vezes no tempo de namoro em dupla. Ela me reconheceu logo, contei a novela, ela me disse que ele ainda gostava muito de mim, que teve vários problemas na vida, inclusive de saúde nos últimos 4 anos... e que daria meus tels para ele. Vou para o Recreio com esperanças renovadas. Na manhã seguinte encontro meu filho, colocamos as conversas em dia. Às 11h30 encontro com a Bailarina, a K liga dizendo para eu ligar para casa do moço que ia ser melhor, uma boa surpresa. Ligo exatas 20 vezes, ninguém atende. A Rainha tb liga e diz que não vai poder vir, está com hospedes. Vamos almoçar no Delírio Tropical, já que a minha vida é delirante... Ligo para K. e digo que já tentei as 20 vezes e pergunto se ela não conseguiria o celular do moço. Ela não tem, vai ligar para o irmão do moço que mora em Sumidouro, espero que ele não tenha sumido, desculpem, mas não resisti ao jeux de mots! AS 16h me despedi da Bailarina, estava cansada e começando a desanimar, cheguei na casa da prima, tomei um banho e me deitei. Toca o meu celular. Era ele... Conversamos tão à vontade como nos tempos de namoro, a voz era a mesma, queria me ver "de qualquer jeito", nos encontramos 1h15 depois. Conversas, beijos e abraços vários, muitas recordações... Fomos tomar água de coco de mãos dadas na orla, como nos tempos de namoro...

Nine a inesquecível de Azevedo (gente me desculpe, mas meu ego está nos cabelos!)

beijos a todos da esquina!


PS. o poema do Marco é sobre fendas, do tempo, da vida, de amores. Às vezes a gente consegue destrancar a porta que foi fechada por dentro!

5 comentários:

Paty W disse...

Adoreeeeeei!!!

Lindo texto, e história...

Aguardo o que vai acontecer (na torcida, rs)

beijinhos =)

Nelson disse...

Uau Nine!

Adorei essa notícia! Aproveite, viva a vida e mate a saudade com tudo que tem direito.

Beijos e sucesso para vocês.

Janaina Amado disse...

Que texto mais pra cima, mais feliz! Ego nos cabelos, é isso aí!
Guilhermina, estou de volta aos blogs, dei uma chegadinha aqui. Sempre gosto de vir aqui. Abraço.

Susanna disse...

Flor!!

Eu já sabia boa parte da história. Mas lendo, assim como você escreveu, fiquei até com falta de ar! rsrs

E a pergunta que não quer calar, é: manchou ou não o sofá?? rsrs

Beijos, amorzinho!
Rainha, meus carinhos mais carinhosos!

Nine de Azevedo disse...

Paty querida, nao vai acontecer nada so uma bela amizade da minha parte dos meus 18 anos,mas obrigado pela torcida.Nelson o mesmo, sao so lembranças de um tempo que ja passou,Janaina realmente me deixou para cima esse reencontro.Susanna minha amada,o sofa nao manchou ,Rose eu fomos rapidas no gatilho!rs Rainha abraços saudosos e bjs a todos da esquina!