sábado, 18 de abril de 2009

histórias mínimas - por Nine

Minha companheira de academia e amiga, Rose, convidou uma moça japonesa que faz aulas conosco para tomar um café. Fazemos isso umas duas vezes por semana, tomar café, não convidar moças japonesas. A Cle também foi. A Rose a convidou porque a Riiko não falava, só dava lindos sorrisinhos para nós.


Nós, as outras, falamos, rimos, reclamamos e claro, fazemos ginástica também!Descobrimos que ela tem esse lindo nome, Riiko, que fará 39 anos esse ano (não parece, tem uma pele!...), que tem uma filha de 4 anos, que esta há cinco no Brasil, é tímida e fala pouco português, mas quer aprender! Fiquei pensando como ela deve ter vivido isolada durante esses anos todos. Mas também como ela é corajosa de se matricular na academia quando não fala bem a língua... Fiquei pensando como somos hospitaleiros, talvez por preguiça e ou lassidão, como escreveu o Marcelo Coelho, no blog cultura e crítica, sobre um doc contando a vida de Palestinos vindos para o Brasil .


Não imagino a cena do nosso café, envolvendo uma paulistana, uma japonesa, uma paulista de Botucatu e uma carioca num outro país. No dia seguinte, a Rose não foi à aula, e foi a minha vez de "apresentar" a Riiko ao professor e as outras alunas. Fui logo falando essa é a Riiko, ela tem 39 anos (todos: Nossa! Até o professor!), uma filha de 4 anos e quer aprender português. Vamos ajudá-la! Demos beijinhos, o que sei, não é comum na cultura japonesa, mas com 5 anos aqui, ela já deve ter percebido que a maioria de nós brasileiros, gostamos de tocar as pessoas.


Fui falar com outro botão (daqueles que a gente fala em pensamento) lembrei do que a rainha Guilhermina escreveu sobre o Nós, eu...


Todas nós ficamos visivelmente contentes na confraria feminina. Rimos, falamos de dieta, filhos, línguas, aprendizado, homens, parece anúncio da Marie Claire: desde meia desfiada até política monetária! Ai lembrei do que escreveu o Visconde sobre homens gostarem da companhia de homens; e mulheres da companhia de mulheres. Rose e eu nos despedimos das outras e fomos descendo a rua, passamos na Sainte, noutra padaria perto de casa da qual gosto mais do pão, e encontramos a Rita Lee tomando café. Fizemos um air bien blasé e só olhamos discretamente para a Rita, que não é a Ludolf , e continuamos na entrada da padaria conversando, agora só nós duas.


Falamos sobre uma cápsula do tempo que me apareceu através de minha filha mais velha na véspera. Retratos e uma carta de um ex-namorado da minha juventude, que ela achou numa caixa na casa da irmã do meio. Foram remetidas a mim, há 4 anos, mas minha mãe resolveu não me entregar... E ainda fez de conta para ele, que mora ai no Rio, que ia me entregar: mentiu para ele e omitiu para mim... Provavelmente nunca saberei, nem ele, o que poderia ter acontecido se eu tivesse recebido essa carta e essas fotos. Nela, dizia que estava divorciado, que o casamento dele não tinha dado certo porque, no fundo, ainda era apaixonado por mim, desde os seus 20 anos... Minha vida às vezes parece um folhetim, até a Susanna bailarina, girassol do Visconde, entrou nessa ciranda, tentando me ajudar a achar o cep e ou telefone do moço do retrato. Foi em vão, mas Susanna, Rose e minha filha mais velha foram todas solidárias no caso do moço do retrato.


Vocês devem estar se perguntando o que essas estórias tem a ver umas com as outras.?!! Na verdade quando comecei, pensei numa crônica simples, mas agora os vou deixar que tirem suas próprias conclusões. Que usem uma lupa nesse micro fragmento das nossas vidas e ampliem os detalhes. Pensem nas atitudes que vocês tomaram nas ultimas horas, nos últimos dias, nos pequenos gestos, mas que podem alterar para sempre a estória de alguém...


beijos para você, amada Rainha, para Susanna e para o moço, não mais tão moço, do retrato

Nine de Azevedo

3 comentários:

Visconde disse...

Não te disse, querida Nine, que ainda havia gentlemen andando sobre a terra...que gesto lindo o deste rapaz...

guilhermina, (ataulfo) e convidados disse...

Nine,

grande questão essa: do ato que muda o caminho da vida de alguém. Especialmente aqueles atos com os quais roubamos a escolha do outro, sonegamos seu direito de decidir pelo o que vai pagar a conta... Inadmissível! E ainda dizem que "foi por amor"... ai.
Meu beijo,
Guilhermina

Susanna disse...

Flor, momento difícil esse... Mas quero te agradecer por lembrar de mim, e pensar na minha história com minha mãe... Teu carinho em querer abrir-me os olhos foi marcante, saiba disso.

Amo você!
Meus mimos à Rainha e ao Visconde.